
Liza Minelli vem ao Brasil .
“E daí ? ” muitos falaram.
“Cadê meu ingresso?” perguntei
Há tempos atrás encontro o empresário Paulo Amorim numa de minhas inúmeras demoras em aeroportos ( tendo sempre a mão um livro de 500 paginas, um ipod com cinco mil musicas e um telefone com a bateria sempre carregada) e ele me dá o sinal: “Liza virá fazer show no Brasil”. Não acredito mas começo a me movimentar. Ele me diz que conseguir um convite será impossível. O ingresso não sairá por menos de R$600,00. Meus nervos começam a ficar à flor da pele. Descubro que talvez consiga me infiltrar à tarde onde esperaria até a hora do show. Preparo minha roupa de faxineiro, garçom ou eletricista e espero a confirmação.
Enquanto não durmo, enquanto espero, começa na cidade a maratona do Fashion Week. Um verdadeiro caminhão de trilhas sonoras para finalizar e horários malucos passam por cima de mim. Faltando um dia para o show, recebo a noticia: vou ganhar um ingresso ! No meio do caos da Bienal começo a levitar.
Não acredito em pontualidades britânicas, mesmo porque na semana anterior a cantora Lauryn Hill havia passou por aqui e deixou a triste lembrança de quase três horas de atraso antes de entrar no palco. O show de Liza estava marcado para as vinte e duas horas. Num ataque de adrenalina resolvo sair de casa às vinte e uma horas. Ao virar a esquina, encontro o pânico: um trânsito monumental na Avenida Rebouças. Nenhuma novidade para São Paulo. Você pode deslizar suavemente às seis da tarde sem entender o porquê ou ficar uma hora preso no tráfego à meia-noite por causa de um prego que caiu na pista.
Começo a ter contrações de uma mulher grávida. Olho o relógio e tenho vertigens. Finalmente consigo chegar às dez horas cravadas no relógio. Encontro a casa lotada. No meu ingresso está escrito: Camarote Vip. E eu me pergunto: por que gente vip sempre quer sentar em camarote e de preferência bem longe do artista ? Não obedeço as placas e sigo em frente na direção do palco. Uma repórter me aborda e faz aquelas perguntas que nunca fazem sentido que dirá no momento de excitação em que eu me encontrava. De repente ela diz a frase mágica: “Adriane Galisteu está ali na primeira mesa da frente”. Não ouço mais nada. Passo por cima das mesas e das nossas diferenças e grito: “Que saudadeeeeeeeee !” e me sento sem perguntar se aquele lugar pode ser meu.
As luzes se apagam e o DVD vai começar. Mas não é possível, não é DVD . Liza Minelli está ao alcance da minha mão. Pensei encontrá-la debilitada e sem a grande voz de antigamente. Ledo engano. Como um bom produto americano, Liza entra no palco em ótima forma, carismática e contagiante , troca de roupa três vezes, não esquece seus clássicos Cabaret e New York, New York e é dramática e cômica quando quer. Ao final declara emocionada : “you are my family”. Nesse momento choro ao pensar que aquele menino que eu fui assistindo seus filmes e shows, possa ter tido essa oportunidade.
5 comentários:
Zé amei!
me senti vc kkkkkkkkk
agora essa do ingresso vip ser sempre o mais longe do artista, mata rsrs
bjs
San
Nossa, queria tanto, mas tanto...
Zé, li amei, tb, nossa, adoro a Liza tb, de pequetitinha...
Virei fã do blog.
Qdo der linco no meu, tá bom?
Bjs, véia, que espírito lindo que tem aí nesse seu coração, :)
O abraço, eu, com licença, um dia já provei, é ótimo!
Bjs,
Cris
zé,
onde vc tá tocando aqui em sampa? quero muito ir numa festa tua.
abs
bruno
b.azevedo@estadao.com.br
Passo por cima de nossas diferenças e ausências vou até ela e grito: “Que saudadeeeeeeeee !” e sem perguntar me sento.
AHAHAHAHAHAHAHAHAH
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