terça-feira, 8 de abril de 2008

Eu Não Consigo Entender Sua Lógica


Depois da overdose de documentários sobre Maria Bethânia, chegou a vez da vida de Caetano Veloso invadir as telas de cinema com o filme “Coração Vagabundo” dirigido, pelo então muito jovem, Fernando Grostein Andrade dentro do festival “É Tudo Verdade” . E ao contrário do emocionante “Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Tem” que traz o frescor de iluminar a obra de um cantor importante e esquecido pelo Brasil, o filme sobre Caetano já inicia nos dando a sensação de saciedade.
Caetano, assim como Bethânia, sempre mantiveram suas carreiras e opiniões em pauta. Polêmico e atual, ele mantém sempre sua imagem de pé, formando incansáveis novas gerações de consumo de sua arte. E eu fui ao cinema com a olhar e a procura desses novos espectadores, mas logo me cansei do que vi.
Caetano, durante o filme, cultiva um sentimento de desligamento, fingindo ignorar o sentimento de idolatria que permeia a todos que estão ao seu redor. Parece não perceber a altura do seu poder, e tudo o que gerou com o seu sucesso. Todos parecem acreditar, mas com a aproximação da enorme lente, tudo nos faz crer que isso não é verdade e sim um eterno paradigma.
O filme mergulha no seu império criado principalmente por Paula Lavigne, mostrada ali ainda como sua mulher e empresária (hoje em dia exercendo somente a segunda parte da situação). Tudo em sua volta parece estar à sua disposição: o Carnegie Hall esperando ansiosamente sua presença. David Byrne dizendo-se nervoso ao dividir o palco com ele, Gisele Bündchen aos seus pés, o Japão pedindo bis, as suítes presidenciais escolhidas a dedo. E Caetano nem aí. Fingindo não acreditar naquela vida real.
Além disso, o filme traz consigo o sempre mesmo problema maior: a super valorização de seus álbuns da fase pré-pós-exílio, sendo extraído deles o carro chefe da trilha sonora do filme, numa repetição interminável da idéia de que somente esses álbuns são cults e importantes. Vemos isso acontecer com freqüência em reportagens sobre sua discografia ou em qualquer retrospectiva visual de sua obra, omitindo-se sempre os trabalhos de outras décadas e que muitas vezes soam mais interessantes.
Ao longo do documentário Caetano parece deslizar indiferente sobre uma esteira de tensões, até chegar o momento de demonstrar sua verdadeira essência ao rebelar-se contra uma declaração de Hermeto Paschoal que questiona sua inatingível carreira, chamando-o de “musiquinho”. Caetano começa seu discurso inicialmente em tom acústico e solene para imediatamente transformar-se em indignado e egocêntrico revelando sua fúria habitual quando atacado.
Ao final o público aplaude pouco e sai sem a sensação de força tamanha que o filme quis retratar.
Caetano fez minha cabeça. Caetano formou meu gosto musical. Mas com o tempo o império de suas meias-verdades andaram abalando o meu lado súdito. Nem tudo é verdade.

7 comentários:

Anônimo disse...

Entre outros descompassos, não entendo o porquê de tanto Caetano Veloso. Parece que não há mais trilha de novela global sem música dele.
Esse cara, em todos os sentidos, já deu o que tinha de dar.

KL.

Beni Borja disse...

Zé... vi o filme e assino embaixo. Além de tudo que vc. disse ,com extrema propriedade, dá uma sensação de oportunidade perdida..

É tão bom lê-lo quanto ouvi-lo

um abraço

beni

Anônimo disse...

Estou escrevendo à procura de uma resposta.
Coração Vagabundo ainda não foi veiculado aqui na minha cidade e estou sendo informada apenas por especulações que encontro na internet.

P. É longa ou curta-metragem? Já li alguns falando que é curta e outros que é longa. Esse Fernando Andrade surgiu de onde?

Enfim ...
OBrigada!

Anônimo disse...

So Para entender Ze Pedro: O Caetano é Ego Centrico num imperio de Meias Verdades, a Maria Bethania teve uma overdose de documentarios... O Filme teve uma super valorização de obras do Exilio (alias quais hein? Eu vi o filme e pelo o que me lembro 50% das Musicas eram do Foreign Sound, Coracao Vagabundo que foi feita quando ele estava em Santo Amaro, Asa Branca e Brasil Pandero) eeee Legal é o programa que você fazia Rede TV com a Galisteu? Ou seria a Luciana Gimenez? Ou seria Sbt? Isso é o seu bom gosto? F A L A S E R I O! Acho que voce tem que comer MUITO arroz e feijao antes de escrever essa sua critica... Quanta Amargura!!!

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Del e disse...

oi zé, concordo com tudo que vc comentou sobre Caetano aqui em seu blog,particulamente eu amo demais o Caetano e tudo que ele faz, e sobre o "musiquinho" como foi chamado, na minha opinião só sendo ignorante e mal entendedor de boa música como bossa nova e mpb que é o que esse cantor maravilhoso que é o Caetano canta,interpreta e sita para fazer um comentario desse tipo!!!
mil bjus del...

Anônimo disse...

A-d-o-r-e-i, Zé Pedro!